quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Primeiro Cinema

Por ser diferente, o cinema dos primeiros 20 anos foi por muito tempo ignorado, sendo considerado de pouco interesse para a história do cinema. Ele muito se assemelhava a apresentações culturais da época como o teatro, a lanterna mágica, o vaudeville e as atrações de feira, o cinema ainda estava em seu estágio preliminar, tentando criar a sua própria linguagem.



Os espectadores dos filmes estavam mais interessados em um espetáculo visual do que em ver uma história sendo contada. Logo empresários começaram a comprar filmes das produtoras para exibi-los, era o começo da lucrativa indústria do cinema. Ao contrário do público que freqüentavam os cafés e teatros, o público que assistiam aos filmes eram trabalhadores de baixa renda, que pagavam uma moeda para entrar nos enormes galpões onde os filmes eram exibidos.




Os primeiros filmes produzidos entre 1894 e 1906, não tinham a preocupação com a linearidade da narrativa, os planos eram pensados individualmente, com a intenção de mostrar a ação filmada sem muito compromisso com a cena seguinte. A narrativa mais linear surgiu com os filmes mais longos e com o estudo da montagem.


Este período no cinema foi denominado de “cinema de atrações”, pelo motivo de prender o espectador não pela história em si, mas pelo que estava sendo exibido. A intenção era de impactar o público com as imagens.

Muitos acham que essa estética “despreocupada” de uma montagem mais linear, com um enredo mais elaborado, era um defeito dos primeiros filmes da história.



Para pesquisadores como Charles Musser, a falta de narrativa não era um defeito, pois o entendimento daqueles filmes dependia também de fatores externos, como o conhecimento prévio dos espectadores do assunto filmado, ou a presença de um conferencista na apresentação do filme.



1894-1906/07: O cinema de atrações


Muito similar ao teatro, os primeiros filmes eram feitos com uma câmera parada enquadrando todos os personagens de corpo inteiro, com poucos movimentos, preservando a cena em que se desenrolava a ação. Um exemplo são os “trick films” (filmes de truques), em que mágicos se aproveitavam dos poderes ilusionistas das câmeras para fazerem seus truques de desaparecimentos, por exemplo. O mais famoso mágico desse gênero é Georges Méliès.




A visão tradicional defende que os filmes de Méliès originaram o gênero ficcional do cinema, por serem feitos em estúdios com uso de cenários estilizados e por retratar a fantasia da mágica. Os filmes de Lumière, por sua vez, originaram o gênero documentário realístico, por usarem locações externas e naturais. Mas essa visão não se aplica ao primeiro cinema, pois nos filmes havia a mistura de cenas reais e autênticas, com cenas feitas em estúdio, usando maquetes. Portanto, não havia uma distinção clara entre ficção e documentário.

No cinema de atrações também existiam as “gags”, pequenos filmes que contavam uma piada visual com a narrativa dividida em duas partes, a preparação e o desfecho inesperado, sem a necessidade de uma ação posterior para finalizar o enredo. Essa é a forma mais antiga de “narrativa completa” do cinema.


Entre 1902 e 1907, surgiram as primeiras narrativas auto-suficientes do cinema, com os filmes de perseguição, em que um roubo, uma briga ou um acidente gerava uma fuga e no final, o perseguido era alcançado.


Era o inicio do cinema como o conhecemos hoje, com uma narrativa linear, uma história com começo, meio e fim. Após 1907, o cinema evoluiu rapidamente e logo se tornou uma grande indústria muito lucrativa, se tornando a primeira mídia de massa da história. Começaram os desenvolvimentos das técnicas de filmagens como enquadramentos e planos de câmera, iluminação, atuação e montagem com motivo de tornar mais claras ao espectador as ações narrativas. A duração dos filmes passaram a ter em média sessenta a noventa minutos e as exibições deixaram de ser realizadas em galpões lotados para luxuosos teatros.



Filmes de Referência


Annabelle Butterfly Dance (Dickson, 1895)

La Sortie des Usines Lumière (Louis Lumière, 1895)

Les Cartes Vivantes (Star Film, 1904) Georges Méliès

The Big Swallow (James Williamson, 1901)

Repas de Bébé (Louis Lumière, 1895)

Arrivée du Train en Gare de La Ciotat (Auguste e Louis Lumière, 1895)

L’arroseur Arrosé (Louis Lumière, 1985)

Battle of Manila Bay (J. Stuart Blackton e Albert Smith, 1898)

Viste sous-marine du “Maine” (Star Film, 1898) Georges Méliès

Attack on a China Mission (James Williamson, 1900)

Electrocuting an Elefhant (Edison, 1903) Edwin Porter

Execution of Czolgosz With Panorama of Auburn Prison (Edison, 1901) Edwin Porter

Le Royaume des Fées (Star Film, 1903) Georges Méliès

Jack and the Benstalk (Edison, 1902) Edwin Porter

sábado, 31 de outubro de 2009

Play For Me!

Às vezes pensamos que a goiabeira do vizinho, dá goiabas melhores que a nossa. Tem gente que paga “mó pau” pra bandas de fora e deixa de prestigiar artistas que fazem trabalho de igual qualidade, aqui mesmo, na nossa “cidade morena” Campo Grande, num barzinho próximo de você. Gosta de Snow Patrol? Placebo? The Verve? Queria ir no show do Oasis, mas não pôde pagar 400 reais de ingresso e arcar com a passagem pra Sampa? Está afim de ver o Coldplay no Brasil, e não aguenta mais essa lenga lenga de datas adiadas? Calma lá, meu amigo, eu sei o que é isso! Mas também sei que há uma banda aqui na Big Field que faz um britrock pra “from UK” nenhum botar defeito. Sim, britrock composto em inglês por campo-grandenses para saciar a sede de quem gosta da boa música da terra da rainha. Estou falando da banda Lynks (que já se chamou Lynx), que sempre se apresenta nos principais bares voltados ao rock da cidade para um público fiel que os acompanham e os prestigiam. Nos shows, além de músicas das bandas citadas acima, eles apresentam um repertório próprio que surpreende. Melodias e refrões que grudam na cabeça desde a primeira vez que você escuta, como todo bom hit. E todas as música deles são hits. Músicas como: “I’ve Made It” que nada deve para “Yellow” do Coldplay, por ser tão linda quanto; “Be Free” e “Call My Name” que lembram as músicas mais antigas do Oasis. E mais uma vez eu digo, ainda bem que os temos por aqui! Ainda bem que, Gustavo, Diogo, Alexandre e Rafael, além de toda a correria que todos temos que enfrentar com o trabalho, estudos e família, se dedicam a essa paixão que corre no sangue e que, no caso do Rafael, está até cravada no braço com uma tatuagem: Lynx.


Atualmente eles estão na luta para gravar o primeiro álbum, repertório pra isso eles já tem. E tem também um democlipe da primeira música que a banda escolheu pra gravar em estúdio, “Play For Me” feito por mim. Foi a primeira experiência que eu tive de produzir um videoclipe. A idéia era simples: uma garota entra num salão sozinha, coloca pra tocar a música preferida dela (play for me, tchanam!!) e começa a imaginar que está em uma festa com os amigos com a banda tocando especialmente pra ela. Chamei o Alysson (da banda Repúdio) que estuda comigo pra filmar e uma amiga me indicou a Juliana Rachidi pra atuar. No dia da gravação imprevistos (previstos) aconteceram e não tinha gente suficiente pra fazer a cena da festa. O plano “B” entrou em ação e filmamos só a banda e a Juliana, que foi muito, muito bem :) Reconheço que o resultado não ficou tão bom como eu esperava, fico triste por, naquele momento, não ter feito um trabalho à altura, como eles merecem. Hoje quando assisto ao vídeo, não vejo um trabalho de um profissional, pelo menos não de um profissional que eu quero ser, que estudo pra ser. De lá pra cá procurei evoluir e o segundo clipe que fiz, com a banda Dimitri Pellz, mostrou isso. Contudo, este vídeo do Lynks é muito especial pra mim, porque me proporcionou experiências muito legais como acadêmico, uma delas foi participar de dois festivais de audiovisual universitários com o clipe. Agradeço sempre a eles, por terem me dado essa oportunidade e por acreditarem em mim. Tudo o que eu puder fazer pra divulgar o som do Lynks, eu vou fazer. O principal motivo de ter feito esse clipe, foi esse e se alguém conheceu a banda através dele ou se você vai conhecê-los agora, me sinto feliz de cumprir meu propósito.

www.myspace.com/lynxbandbr

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Dance With Fire!

O Dimitri Pellz é uma das bandas que salvam a cena musical de Campo Grande do marasmo e da futilidade. Ouvindo as músicas gravadas em estúdio, você pode até contestar minha opinião. Mas te desafio a ir em uma apresentação da banda, no Barfly. Geralmente eles sobem ao palco quando se passa das três da manhã, encerrando a noite, bem no momento que você pensa que já viu tudo e cogita ir embora pra pegar de jeito aquela "baixinha de quatro" que está te esperando no seu quarto. E é aí, meu caro, que eles te fazem ficar mais um pouquinho pra te provar, ou praticamente esfregar na sua cara, que fazem sim, um dos melhores shows deste estado. Com intensidade, álcool, suor, sangue (de mentirinha e de verdade, também) e muita carisma, eles destroem tudo com um rock sujo, que faz lavar a alma! Impossível sair imune.


E foi em uma dessas noites no Barfly, que eu tomei coragem e falei com o Samambaia (dos teclados) sobre um trabalho da faculdade que eu teria que fazer pra matéria de iluminação e fotografia, que se tratava de iluminar (rá!) uma banda tocando ao vivo nos estúdios da Universidade Católica Dom Bosco - UCDB, e que eu tinha pensado no Dimitri Pellz... Muito gente boa, ele conversou com os outros integrantes da banda e depois, pra minha alegria, me deu a resposta que tinham aceitado. E logo a alegria deu lugar a ansiedade e a preocupação de fazer bem feito, afinal, estava lidando com uma banda que a cada dia ganha mais admiradores. Depois de muita troca de e-mail com a banda e madrugadas pensando, decidimos a música e a ideia estava pronta na minha cabeça. Nada melhor que retratar o "rock sujo e vermelho" com a música Dance With Fire, uma das minhas preferidas ao vivo, literalmente no vermelho. E foi assim.




Obrigado, Dimitris!

Prazer!

Do 8 ao 80, lá estou eu caminhando entre as extremidades da vida. E entre o caminho de um ponto ao outro, muita confusão. Tanta que às vezes, nem eu me reconheço mais. E aí é difícil.

Com isso, eu descobri que o meu maior inimigo, sou eu mesmo. E Depois disso, foi mais fácil.

Aqui quero retratar as extremidades que me formam como pessoa, de um ponto ao outro, e tudo o que tiver entre eles. O que faz a minha cabeça pulsar...

Prazer!