Os espectadores dos filmes estavam mais interessados em um espetáculo visual do que em ver uma história sendo contada. Logo empresários começaram a comprar filmes das produtoras para exibi-los, era o começo da lucrativa indústria do cinema. Ao contrário do público que freqüentavam os cafés e teatros, o público que assistiam aos filmes eram trabalhadores de baixa renda, que pagavam uma moeda para entrar nos enormes galpões onde os filmes eram exibidos.

Os primeiros filmes produzidos entre 1894 e 1906, não tinham a preocupação com a linearidade da narrativa, os planos eram pensados individualmente, com a intenção de mostrar a ação filmada sem muito compromisso com a cena seguinte. A narrativa mais linear surgiu com os filmes mais longos e com o estudo da montagem.
Este período no cinema foi denominado de “cinema de atrações”, pelo motivo de prender o espectador não pela história em si, mas pelo que estava sendo exibido. A intenção era de impactar o público com as imagens.
Muitos acham que essa estética “despreocupada” de uma montagem mais linear, com um enredo mais elaborado, era um defeito dos primeiros filmes da história.
Para pesquisadores como Charles Musser, a falta de narrativa não era um defeito, pois o entendimento daqueles filmes dependia também de fatores externos, como o conhecimento prévio dos espectadores do assunto filmado, ou a presença de um conferencista na apresentação do filme.
1894-1906/07: O cinema de atrações
Muito similar ao teatro, os primeiros filmes eram feitos com uma câmera parada enquadrando todos os personagens de corpo inteiro, com poucos movimentos, preservando a cena em que se desenrolava a ação. Um exemplo são os “trick films” (filmes de truques), em que mágicos se aproveitavam dos poderes ilusionistas das câmeras para fazerem seus truques de desaparecimentos, por exemplo. O mais famoso mágico desse gênero é Georges Méliès.
A visão tradicional defende que os filmes de Méliès originaram o gênero ficcional do cinema, por serem feitos em estúdios com uso de cenários estilizados e por retratar a fantasia da mágica. Os filmes de Lumière, por sua vez, originaram o gênero documentário realístico, por usarem locações externas e naturais. Mas essa visão não se aplica ao primeiro cinema, pois nos filmes havia a mistura de cenas reais e autênticas, com cenas feitas em estúdio, usando maquetes. Portanto, não havia uma distinção clara entre ficção e documentário.
No cinema de atrações também existiam as “gags”, pequenos filmes que contavam uma piada visual com a narrativa dividida em duas partes, a preparação e o desfecho inesperado, sem a necessidade de uma ação posterior para finalizar o enredo. Essa é a forma mais antiga de “narrativa completa” do cinema.
Entre 1902 e 1907, surgiram as primeiras narrativas auto-suficientes do cinema, com os filmes de perseguição, em que um roubo, uma briga ou um acidente gerava uma fuga e no final, o perseguido era alcançado.
Era o inicio do cinema como o conhecemos hoje, com uma narrativa linear, uma história com começo, meio e fim. Após 1907, o cinema evoluiu rapidamente e logo se tornou uma grande indústria muito lucrativa, se tornando a primeira mídia de massa da história. Começaram os desenvolvimentos das técnicas de filmagens como enquadramentos e planos de câmera, iluminação, atuação e montagem com motivo de tornar mais claras ao espectador as ações narrativas. A duração dos filmes passaram a ter em média sessenta a noventa minutos e as exibições deixaram de ser realizadas em galpões lotados para luxuosos teatros.
Filmes de Referência
Annabelle Butterfly Dance (Dickson, 1895)
Les Cartes Vivantes (Star Film, 1904) Georges Méliès
The Big Swallow (James Williamson, 1901)
Repas de Bébé (Louis Lumière, 1895)
Arrivée du Train en Gare de
L’arroseur Arrosé (Louis Lumière, 1985)
Viste sous-marine du “
Attack on a
Electrocuting an Elefhant (
Execution of Czolgosz With Panorama of Auburn Prison (
Le Royaume des Fées (Star Film, 1903) Georges Méliès
Jack and the Benstalk (


